"Fernando Henrique Cardoso e Lula definiram um alto padrão para a função presidencial: o de líder. É o que torna difícil imaginar Dilma na Presidência."
Saiu na folha de São Paulo do mês de janeiro deste ano, um artigo de Renato Janine Ribeiro (professor titular de ética e filosofia política na USP), em que o filósofo faz uma avaliação do perfil de líder que ocupa a presidência no Brasil. Segundo ele, definir um alto padrão para a profissão presidencial de 16 anos de mandatos sucessivos de governantes de FHC e Lula: o de líder.
Para o teórico, o que se espera para o cargo presidêncial do nosso país em 2010 são as mesmas qualidades que os dois últimos presidentes possuem (persuasão, união e liderança), atributos , que provavelmente Dilma Rousseff -apesar de seus méritos- não conseguirá adquirir.
Para construir sua idéia, Janine estabelece uma comparação entre chefe, gerente e líder, dizendo haver uma grande diferença entre essas características. O filósofo portanto, julga um gerente como por exemplo, um governador de São Paulo, presidenciável constante, mas a quem talvez falte a fagulha liderança.
Chefe por conseguinte, pode dar ordens, nomear e demitir, mas não é um líder.
Logo, os presidentes que são líderes não mandam, eles falam e seduzem criando pontes com a oposição, e administrando conflitos entre ministros.
No entanto, um líder dá menos do que as pessoas pedem, isso porque elas mesmas não sabem o que desejam.
Renato Janine, ao ouvir um político francês definir um líder como sendo a "Sua melhor qualidade é que ele descobre muito rapidamente o que as pessoas querem"- deduz uma concepção de líderança como estratégia, persuação e conciliação, diferentemente de tática, ordem e disciplina, o que caberia ao chefe.
Para o teórico, o PT (Partido dos Trabalhadores) tem uma grande tarefa para 2010: propor um líder. Como a prioridade do Lula é se eleger em 2014, o mais propício seria colocar alguém que se contentasse com apenas um mandato.
Em suas reflexões, Janine diz ainda que Aécio seria a melhor opção para o cargo, mesmo parecendo bastante com Dilma, com sua gerência e seu forte poder de chefia. O dificíl seria ele se contentar com apenas 4 anos na presidência.
Nota-se no entanto, que o Brasil colocou a politíca acima da gerência, o que é favorável, pois, técnicos no poder funcionaram na ditadura, mas na democracia, já não basta.
Ludimila Rodrigues.


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