
“O ciclo de discórdia deve acabar”, disse o Presidente, na Universidade do Cairo. “O ciclo de discórdia deve acabar”, disse o Presidente, na Universidade do Cairo.
Entre citações do Corão, de antigos presidentes como Thomas Jefferson, Obama sublinhou a necessidade das relações entre a América e o mundo muçulmano serem baseadas nos interesses comuns. "Devemos focar-nos no que nos aproxima e não o que nos separa”.
“O ciclo de discórdia deve acabar”, disse o Presidente, na Universidade do Cairo. Embora admitindo que o discurso dirigido ao mundo muçulmano feito a partir do Egipto criou muita expectativa, “um discurso apenas não pode fazer a mudança da noite para o dia”, alertou.
Mas o que pretende é um novo começo. Um começo que permita avanços nos interesses que americanos e muçulmanos partilham. “Temos responsabilidade de nos juntar para um mundo em que os extremistas não ameacem os nossos povos, que as tropas americanas regressem, um mundo em que israelitas e palestinianos estejam seguros cada um no seu estado, em que a energia nuclear seja usada para fins pacíficos, um mundo em que os governos sirvam os seus cidadãos, e em que os direitos dos filhos de Deus sejam respeitados. Estes são os nossos interesses mútuos. Este é o mundo que queremos. Mas só conseguiremos atingi-lo juntos”.
Antes, Obama falou da sua história pessoal – “um cristão cujo pai veio do Quénia e cuja família incluiu gerações de muçulmanos” e da “dívida da civilização do islão”, mencionando o “conhecimento que permitiu a Renascença europeia”, álgebra, etc. “E demonstrou por palavras e por acções a possibilidade de paz e de unidade racial”.
A América deve ainda começar a olhar para o islão pelo que ele é não pelo que não é, disse Obama, recebendo aplausos. Mas “deve aplicar-se o mesmo princípio à percepção que os muçulmanos têm da América”.
O islão como parte da América
O Presidente americano sublinhou ainda que o islão tem lugar na América, lembrando que o primeiro país a reconhecer os EUA foi Marrocos, mencionando o número de muçulmanos americanos (7 milhões), recordando que o primeiro muçulmano eleito para o Congresso (que fez o juramento sobre o Corão de Jefferson) e o facto de haver pelo menos uma mesquita em todos os estados da América, e um total de 200 no país. “Não há dúvidas: o islão é parte da América”.
Obama falou do mundo interdependente e dos exemplos da crise financeira ou da gripe para mostrar como uma acção num país afecta muitos outros, passou para o exemplo do extremismo. “Temos de confrontar o extremismo violento em todas as suas formas”, disse, garantindo no entanto que “a América não está nem nunca esteve em guerra com o islão”. Sublinhou que no 11 de Setembro foram mortas mais de 3 mil pessoas inocentes – e citou o Corão: “Quem mata um inocente é como se matasse toda a humanidade”.
Mas “a fé de muitos é muito maior do que o extremismo de muitos”, garantiu o Presidente americano.
Afeganistão, Iraque e Israel
Obama falou ainda das guerras no Afeganistão, uma guerra de necessidade e não de escolha, e da guerra do Iraque, uma guerra escolhida.
Em relação ao conflito israelo-palestiniano, Obama tanto referiu a ligação inquebrável entre EUA e Israel como sublinhou que o seu direito a existir está “enraizado numa perseguição que não pode ser negada” como afirmou também que é inegável “o sofrimento dos palestinianos, as humilhações diárias que vêm com a ocupação”. Obama repetiu que a única solução aceitável são dois estados. Aos palestinianos recordou, nomeando o Hamas, a responsabilidade de reconhecer acordos passados e a existência de Israel; aos israelitas afirmou que a continuação da expansão dos colonatos não é aceitável para os EUA.
Quanto às armas nucleares, Obama referiu o contencioso entre o Irão e os EUA, lembrando que os EUA derrubaram um “líder democraticamente eleito no país” – não se esquecendo de referir, claro, as acções iranianas contra os EUA. Mas com a nova abertura americana, o Irão que se definiu durante muitos anos pela sua oposição à América deveria definir-se agora não pelo que está contra, mas pelo futuro que quer.
Quanto ao nuclear, os países têm direito a programas nucleares pacíficos “desde que sigam as regras do Tratado de Não Proliferação”.
Democracia e direitos das mulheres
O Presidente americano falou ainda de democracia (tentado um equilíbrio entre a defesa da democracia e dos direitos humanos e não mencionar a falta de ambos no regime do país que o acolheu). Ao contrário do seu antecessor, George W. Bush, Obama diz que nenhum país pode impor a democracia a outro. “Mas isso não diminui o meu compromisso de apoio a regimes em que o povo escolhe os seus líderes”.
O que define uma democracia não são apenas as eleições, continuou, mas o respeito pela lei, a liberdade de expressão, a transparência do Governo, a liberdade individual.
A liberdade religiosa foi outro dos pontos do discurso. Obama lembrou a tradição do islão neste aspecto, na Andaluzia muçulmana da Idade Média ou na Indonésia onde viveu em criança, e manifestou preocupação por uma tendência de alguns muçulmanos “definirem a sua fé pela rejeição das outras”.
Para terminar, Obama falou sobre os direitos das mulheres: “não acredito que uma mulher que use véu não seja igual, mas acredito que uma mulher a quem é negada educação não é igual”.
Em conclusão: “os povos do mundo podem viver juntos em paz. Sabemos que essa é a visão de Deus. Agora, esse tem de ser o nosso trabalho aqui na Terra.” E o Presidente terminou: “Obrigado. E que a paz de Deus esteja convosco”. (Publico)
Ludimila Rodrigues.


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